quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sila lê!!!

Ler é uma atividade intelectual prazerosa eenvolvente. Estar alí com o livro encostado ao seu corpo, mergulhar através dele em universos que estão tão longe fisicamentes é uma experiência única.
Por isso eu entendo a Sila. A conversa está solta. Eu teclo daqui e ela de lá. Aí vem a pergunta:
-Você vem sábado?
Ao que respondo "sim". E ela de lá:
-Vai trazer livros?
Eu rio imaginando a tensão que ela vive ao aguardar minha resposta.
- Vou!! Respondo.
E ela:
_ Ai que delícia!!!
E essa frase diz tudo. Ler é delícia e torna as pessoas que leem interessantes, deliciosas.
Minha irmã - a Sila -é assim. Na cabeça dela e no seu jeito de ser há uma mistura de Penélopes, Capitus, Marias Mouras, Sherazades... que a tornam única, especial e exemplo de pessoa que não se deixa abater pelas tristezas e ri delas às gargalhadas.
Compartilhamos esse amor pelos livros e isso nos torna mais amigas e cúmplices.
Por isso sempre que descubro um livro novo, uma nova história, penso nela e em como vai ficar feliz com ele. Seu sorriso vai iluminar, seus olhos vão brilhar e é certo que enquanto ela não terminar de ler, algumas coisas estranhas vão acontecer: a campainha vai tocar e ela não vai atender, o almoço vai atrasar e o arroz vai estar meio passado, as costuras vão ficar para depois
e o Lauro - o marido - vai poder assistir qualquer jogo de futebol que ela nem vai notar.
Nesse tempo ela não está para ninguém e não adianta insistir.

domingo, 22 de março de 2009

O Tombo




O chão estava lá.
Os passos firmes.
A certeza da chegada.




De repente o chão foi embora.
O vácuo silencioso
envolveu o corpo.
A mente não pode acompanhar.


O chão foi sentido novamente.
Agora sob a extensão de todo o corpo.
A dor chega junto com a consciência
da queda.




Há mãos que auxiliam.
Vozes que exclamam!
O cérebro desanuvia-se.

A boca murmura
num meio sorriso constrangido:
-Obrigada!

domingo, 15 de março de 2009

A má formação dos Professores?

O Brasil discute qualidade na educação há anos.

Há anos se houve falar sobre a má formação dos profissionais em educação e isso está tão presente no dia a dia dos educadores que quase ninguém contesta os especialistas no assunto.

Mas hoje eu quero contestar! Quero contestar porque estou no meio há vinte anos e nesse tempo todo eu venho participando de encontros, seminários, cursos, palestras, debates, jornadas que estão sempre lotadas... pasmem! de professores!

Nas escolas em que trabalho há momentos para estudar, preparar aulas, debater, conversar sobre o aluno com seriedade e responsabilidade.

Como então os professores não estudam? Como dizer que estão mal preparados para enfrentar a sala de aula?

Essa é uma afirmação que não pode ser generalizada. No magistério, como em qualquer outra profissão há bons e maus profissionais. Há os que correm atrás em busca de melhorar seus conhecimentos e há os conformistas, que se acomodam e que, no meio em que atuo, não são a maioria como querem nos fazer acreditar.

Os problemas na educação brasileira, com os quais convivo diariamente, são muitos: começam pela falta de uma estrutura moderna que contemplem uma escola com boa estrutura física, conectada às novas tecnologias, passam pos salas superlotadas, carência de material básico, uma crise violenta de valores sociais e por administrações públicas que não priorizam a educação, apesar dos discursos de todas as correntes políticas dizerem o contrário.

Por mais que essa realidade seja dura e dificulte o trabalho do professor é nele que muitas famílias depositam suas esperanças de melhorar a vida dos filhos e é nisso que está a força do educador que vai à luta diariamente consciente de sua função social e da importância do seu trabalho para a sociedade.

Por isso, colegas professores, não vamos desanimar, pois se há profissionais competentes em todas as áreas é porque tiveram bons professores, atentos e comprometidos com a educação de qualidade!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Saudades de Maria Inês

A Maria Inês é uma amiga que eu não esqueço. Nossa amizade começou na 5ª série - turma F -. Nós fazíamos parte das meninas frágeis, mas que todos querem ter por perto nos dias de prova.
A Maria Inês tinha um orgulho em especial que ela gostava de mostrar para todos: a foto do irmão dela que era compositor, cantor e morava em São Paulo. Nós brincávamos juntas no recreio, conversávamos e evitávamos confusões, pois éramos da paz.
No ano seguinte fui para outra turma e nossa amizade esfriou.
Anos mais tarde encontrei a Maria Inês lá no Estadual, professora de Português e Literatura, como eu!!!
Juntas desenvolvemos projetos de leitura que, tenho certeza, marcaram os alunos daquele período e a nossa amizade se renovou e fortaleceu em bases sólidas.
Um dia ela chegou pra mim e me convidou para fazer um curso de Pós-graduação em Leitura Teoria e Prática. As aulas eram nas sextas à noite e nos sábados em Passo Fundo. Foi um tempo inesquecível em que convivemos com professores
maravilhosamente malucos, que nos levaram a acreditar ser possível transformar nossos alunos cibers em leitores do livro.
Depois disso nos lançamos a pôr em prática o que tínhamos aprendido. Nossos projetos de leitura passaram a ter embasamento teórica e não agíamos mais apenas por intuição de leitoras apaixonadas que queriam tornar seus alunos leitores de verdade.
Desenvolvemos várias oficinas de leituras e cursos para professores. Nesses encontros ela ficava com a parte da contação de histórias, eu com a parte teórica. Éramos uma dupla e tanto.
É um tempo em que voltávamos para casa exaustas, mas imensamente felizes com aquela sensação de "missão cumprida".
Em 2000 resolvi mudar de cidade em busca de melhores oportunidades de trabalho e nossa parceria foi se acabando em função das dificuldades em nos encontrar e trabalhar junto.
Mas o que é bom fica para sempre guardado em nossa memória e no nosso coração e tenho certeza de que a saudade que sinto também é sentida por ela, pois nunca mais encontrei umacolega com a disposição para se aventurar, para trabalhar além do horário, para envolver os alunos como fazíamos.