segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Castelos

O sol é quente, mas há no ar uma brisa suave que balança os cabelos castanhos da menina. Ela caminha indolente. Embaixo do braço carrega o surrado livro, na capa se lê em letras graúdas "O castelo do Homem sem alma".
A menina caminha, aspira o perfume dos eucaliptos. Ao longe se ouve o mugido da vaca a chamar pelo seu bezerrinho. No rosto da menina os olhos brilhantes, meio oblíquos vasculham a longa campina que se estende a sua frente.
Caminha mais um pouco, vagarosamente. Pára, olha ao seu redor, sem pressa. Observa o mundo ao seu redor com olhos curiosos e espertos.
No meio co campo há um espaço onde a macega cresceu farta e alta. É aí que ela se acomoda preguiçosamente. Espalha-se, alonga o corpo. Coloca o livro ao seu lado e fica admirando o céu. As nuvens movimentam-se rapidamente, criando figuras que mexem com sua imaginação.
Com os dedos ela acaricia a grama alta, arranca uma haste e leva a boca, sentindo o sabor doce lhe inundar a boca.
Assim esparramada, misturada à grama verde, sentindo a terra junto ao corpo, ela abre o livro e num instante tudo se transforma. Ela penetra num novo mundo, onde um homem humilde faz de tudo para realizar o sonho de construir um castelo.
Por horas seu corpo, seu coração suas emoções são tocadas pela história que lê.
O céu azul, a brisa, o sol, a maciez da grama, a natureza da terra tudo se perde. Só existe ela, o livro, seus personagens, seus conflitos... até que ao longe ela ouve a voz da avó que a chama carinhosamente:
_ Minha filha, venha.... onde você está?
A menina levanta, dobra a página. No coração aquela dor de ter que deixar para amanhã o resto da história. Aconchega o livro junto ao peito e saltitando corre para junto da avó.