sábado, 18 de outubro de 2008

Felicidade!?

Felicidade. Essa palavra é tão usada, mas o seu significado não é possível mensurar, porque ela serve para definir uma sensação abstrata.
Não é palpável. Para uns ser feliz é comer aquela torta de chocolate; para outros é receber flores, ficar em silêncio, ouvir aquela música que faz tanto tempo que não ouve, encontrar por acaso aquele amigo que sumiu por aí.
Mas... atenção! esse mesmos fatos que fazem alguém feliz, podem ser a causa da infelicidade de outros. É isso: o que causa alguém feliz é particular, pessoal e intransferível.
Por isso não adianta procurar a felicidade. Ela não é algo a ser encontrado. Está dentro de cada um, depende da sua história, vivências, experiências e expectativas. Depende do olhar que se dá para os acontecimentos diários, da forma como são valorizadas as pequenas e as grandes coisas do dia-a-dia.
DEPENDE SOBRETUDO DE COMO CADA UM ESTÁ: DISPOSTO OU NÃO A SER FELIZ???

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Harmonia





A brisa morna invade
os canteiros.
As flores multicoloridas
embalam-se lentamente
como que buscando
o perfume que se espalha no ar
a grama verde, estala.


Na parede branca
a aranha silenciosa
com os pêlos negros eriçados
as patas espalhadas
tranquilamente dormita.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Castelos

O sol é quente, mas há no ar uma brisa suave que balança os cabelos castanhos da menina. Ela caminha indolente. Embaixo do braço carrega o surrado livro, na capa se lê em letras graúdas "O castelo do Homem sem alma".
A menina caminha, aspira o perfume dos eucaliptos. Ao longe se ouve o mugido da vaca a chamar pelo seu bezerrinho. No rosto da menina os olhos brilhantes, meio oblíquos vasculham a longa campina que se estende a sua frente.
Caminha mais um pouco, vagarosamente. Pára, olha ao seu redor, sem pressa. Observa o mundo ao seu redor com olhos curiosos e espertos.
No meio co campo há um espaço onde a macega cresceu farta e alta. É aí que ela se acomoda preguiçosamente. Espalha-se, alonga o corpo. Coloca o livro ao seu lado e fica admirando o céu. As nuvens movimentam-se rapidamente, criando figuras que mexem com sua imaginação.
Com os dedos ela acaricia a grama alta, arranca uma haste e leva a boca, sentindo o sabor doce lhe inundar a boca.
Assim esparramada, misturada à grama verde, sentindo a terra junto ao corpo, ela abre o livro e num instante tudo se transforma. Ela penetra num novo mundo, onde um homem humilde faz de tudo para realizar o sonho de construir um castelo.
Por horas seu corpo, seu coração suas emoções são tocadas pela história que lê.
O céu azul, a brisa, o sol, a maciez da grama, a natureza da terra tudo se perde. Só existe ela, o livro, seus personagens, seus conflitos... até que ao longe ela ouve a voz da avó que a chama carinhosamente:
_ Minha filha, venha.... onde você está?
A menina levanta, dobra a página. No coração aquela dor de ter que deixar para amanhã o resto da história. Aconchega o livro junto ao peito e saltitando corre para junto da avó.

domingo, 1 de junho de 2008

OLHOS

OS OLHOS NEGROS NÃO PARAM.
sÃO SÓ INTERROGAÇÃO.
a BOCA CALADA.
DISCRIÇÃO
MEDO
TIMIDEZ.
LER OS OLHOS.
OUVIR OS OLHOS.
RESPONDER
O QUE OS OLHOS PERGUNTAM.
MÃE, FILHO, PAI.
QUANTAS PERGUNTAS.
QUANTAS RESPOSTAS.
QUANTOS OLHARES!!!

Nadismo, vide a mim!!!

Hoje entrei aqui e constatei que minha última postagem ocorreu no dia dez de maio e isso me fez pensar em como o tempo é cada vez menor pra dar conta das coisas que tenho e quero fazer.
Isso me lembra de como fiquei perplexa ao ler os textos dos meus alunos no qual eles descrevem um dia normal de suas vidas que se resume, segundo o que escreveram, em: levantar, trabalhar, ir pra escola e dormir. Não há nos seus relatos descrições de momentos de conversa com o pai, com os amigos, com namorados ou com os professores. Se esse momentos existem não foram relatados, o que leva à conclusão de que são coisas pouco importantes que não mereceram registro nem na redação escolar.
Vivemos um tempo de relações superficiais, de conversar superficiais, de pessoas superficias que se escondem e escondem as suas verdades com medo de se mostrarem como relamente são. E a principal desculpa pra não visitar um amigo, não sentar com o pai, a mãe, os filhos, os amigos e ter aquele papo gostoso é a falta de tempo.
Estamos muito focados ( palavra do momento) em sobreviver e deixamos de viver. Precisamos ganhar dinheiro, estudar, ser o melhor e isso nos consome de tal maneira que não aproveitamos as coisas simples da vida.
Vi ontem na Tv uma matéria sobre um movimento chamado "Nadismo"em que pessoas se reúnem para ficar em silêncio, de papo pro ar, sem fazer absolutamente nada. É claro que o corpo pode ficar lá parado durante quarenta e cinco minutos, a boca fechada, os olhos cerrados, mas o cérebro esse não pára. Esse está sempre em movimento e com certeza muita coisa vai acontecer após esses momento de "nadismo", o que acabará sendo muito produtivo e frustrando os que vendem a idéia do "não fazer nada".
E por sermos seres naturalmente produtivos, devemos ser resilientes (outra palavra do momento) e buscar aproveitar nosso tempo, aprimorando as relações interpessoais e individuais, fazendo tudo que precisamos para viver bem, com saúde física, mental e emocional.

sábado, 10 de maio de 2008

Sobre o prazer de dar aulas!

A aula era sobre o professor leitor e a professora entusiasmada abriu sua mala mágica de onde a cada momento saltavam livros com histórias que ela contava com graça e estilo.
Sorria, fazia cara de incrédula, vozes diferentes para cada personagem.
A história, agora, era sobre a pena que uma galinha muito da achada tinha deixado de recordação pra uma toupeira muito da toupeira. Era uma dessas histórias que quando a gente olha pensa que é pra criança, mas quando vai ler vê que de infantil ela não tem nada.
Mas voltando à professora ... lá ia ela, descrevendo os fatos, provocando risos, expectativas, sendo hora a pobre da toupeira, ora a tal da galinha, mostrando as figuras, fazendo a imaginação voar como se fosse a pena, com tanto carinho cuidada pela toupeira.
A história acabou. Todos aplaudiram. A professora então com um enorme sorriso, aquele mesmo que estava desde que começara a aula, dirigiu-se às professoras presentes e disse:
- Alguém aí tem um comprimido bem forte? É que eu estou com uma tremenda dor de dente... É um canal que já tratei, mas...
Não demorou e o comprimido apareceu, afinal estávamos numa sala cheia de professoras!
A professora tomou-o e a aula continuou da mesma forma, com o mesmo sorriso e muitas outras
histórias que agora não quero contar.

sábado, 3 de maio de 2008

TEMPO


hOUVE UM TEMPO DE SORRISOS SUAVES

LÁGRIMAS DOCES,

CACHOS ENROLADOS

CABELOS ENOSADOS

MÃOS ROSADAS

QUE TATEAVAM O ROSTO QUERIDO

EM BUSCA DO RECONHECIMENTO.


TEMPO DE RECEBER

TEMPO DE ESPERAR PELA PRIMEIRA

PALAVRA ARTICULADA

TEMPO DE ESPERAR O PRIMEIRO PASSO

TEMPO DE VER A CHUVA

DE SE ENCANTAR COM A LUA.


HOUVE O TEMPO DO PRIMEIRO LIVRO

DA PRIMEIRA CANÇÃO

DO PRIMEIRO AMIGO

DA PRIMEIRA BRIGA

DA PRIMEIRA DOR

DO PRIMEIRO PERDÃO.


hOUVE O TEMPO DO PRIMERIO AMOR

DA PRIMEIRA FESTA

DA PRIMEIRA CANÇÃO INESQUECÍVEL

DA PRIMEIRA DESILUSÃO

DAS CONVERSAS INTERMINÁVEIS

DA MÃE AMIGA-CONFIDENTE

DOS SEGREDOS SUSURRADOS


AGORA CHEGOU O TEMPO DA BUSCA

DA INDEPENDÊNCIA

TEMPO DE DECIDIR

TEMPO DE ESCOLHER

TEMPO DE DIZER NÃO

E SIM E TALVEZ.


TEMPO DE VER A VIDA PELOS SEUS OLHOS

TEMPO DE NÃO QUERER OUVIR


tEMPO DE SER FELIZ

COMO SEMPRE FOI

SORRISO ABERTO

OLHOS ILUMINADOS

CORAÇÃO IMERSO NA BONDADE


TEMPO DE VIVER SUAS ESCOLHAS

E DEIXAR QUE SEU BRILHANTE DESTINO

SE CUMPRA

RESULTADO DE TANTOS TEMPOS

FELIZES E INESQUECÍVEIS.



sábado, 26 de abril de 2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Blogaveta

O Blog é a gaveta da era moderna. É nele que as pessoas estão guardando suas receitas, fotos, poesias, textos, histórias, dores, alegrias...
Uma gaveta que de vez em quando alguém abre, dá uma espiada e vai embora. Ás vezes levando alguma coisa que lhe poderá ser útil quem sabe lá no "seu" blog.
O blog é público, mas é privado.
A gaveta é privada, mas pode se tornar pública, dependendo do que foi guardado tão cuidadosamente e de quem guardou.
No blog os segredos podem a vir à tona a qualquer momento, pois a pessoa escreve achando que seu codinome e sua senha a protegem,mas aí vem alguém e... pronto! Tudo revelado.

Nas gavetas eles perduram por mais tempo. Mas também acontece de serem descobertos.
Muitas obras literárias e histórias grandiosas foram encontradas perdidas em gavetas.
Muita gente escreve nos seus blogs com a esperança de ser descoberto como um grande escritor.

Mas as gavetas ainda são mais confiáveis, pois mesmo que não sejam abertas durante décadas seu conteúdo aí permanecerá, já o blog não. Ele tem data de validade. Precisa de acesso, senão vem um deus dos blogs e apaga tudo o que foi escrito, criado, copiado, enfeitado e o pior é que ninguém sabe com quem reclamar e pedir tudo o que era "seu" de volta.

De saco cheio

Estar de saco cheio!!! Esta expressão deixa qualquer um que a ouça, literalmente de saco cheio.
Afinal o que ela representa? Que você não está mais agüentando determinada situação ou pessoa.
O que fazer então? Ninguém sabe, pois se soubessem não haveria tanto estresse, tanta depressão.
Alguns procuram a terapia.... mas um belo dia descobrem que... estão de saco cheio.
Outros usam a cervejinha no final do dia ou o papo com os amigos para fugir da maldição. Até que ... estão de saco cheio.
Viver é isso: estar de saco cheio e aí procurar alguma coisa que o salve por um tempo até que você perceba que a rotina tomou conta da sua vida, que você está trabalhando demais, que você está cansado de tanto trabalhar e resolver problemas dos outros...
Mesmo assim e apesar de tudo isso ninguém quer morrer, pois morrer é a maneira definitiva de deixar de ter o saco cheio e de encher o do outro. Então vamos viver um dia de cada vez, superando as dificuldades, tendo paciência, errando, acertando e convivendo com... o saco cheio.

domingo, 13 de abril de 2008

Última Geração

A minha geração é a geração que presenciou o surgimento da tecnologia. É a geração que sonhou com os super-heróis em preto e branco, ingênuos e que de repente se viu envolvido pelo mundo da tecnologia, tomando conta de tudo e de todos.

Hoje alguém digita um número e lá está você, sua vida; fatos que você nem lembra mais que viveu são de domínio público, já que o privado e o público estão distante só até o momento em que alguém faz uma boa oferta pelo seu "cadastro".

E então, nós, os que ajudaram a construir esta realidade aí estamos, tentando nos manter atualizados; tentando evitar o "mico" que é o menininho de 8 anos te dizendo" Ei Profe aperta o play, ele tá ali ó logo à esquerda...".

E por mais que estudemos, que tenhamos lido todos os grandes filósofos, saibamos conjugar os verbos regulares e irregulares, façamos os cálculos mais mirabolantes apenas mentalmente, nos atrapalhamos com esse mundo que se renova a cada dia e que faz o consumismo ferver dentro de cada jovem que se sente diminuído se não tiver a "última geração"a sua mão.

Mas o pior é que a "última geração" já está sendo superada pela próxima "última geração" no momento em que o menino vê com olhos gulosos e coração alvoroçado o primeiro comercial desse maravilhosos ser de "última geração".

Assim cabe a nós, educadores, nesse redemoinho da evolução tecnológica, onde os chips parecem ditar as regras, apresentar as crianças e jovens a essência humana, aquela que nos faz criaturas-criadoras, capazes de inventar coisas tão magníficas, que de tão magníficas parecem poder nos substitur, o que é impossível, já que a essência humana é única no universo e por ser única, é insubstituível.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Descobertas





É noite.


A lua cheia brilha no céu.






O menino corre pela calçada.


Pára, olha o céu.


Volta a correr.


Cabelos ao vento,


Olhos enormes.


O coração acelerado.




O menino pára.


Anda em círculos,


Os olhos enormes ,


Erguidos para o céu.




O menino, só interrogação.


Agarra a mão da mãe


Ansioso pergunta


- Mãe por que a lua tá me seguindo?

domingo, 30 de março de 2008

Família


A mãe lê Alice no País das maravilhas

A filha ri das trapalhadas do coelho

O filho ao pé da cama

Desenha

Seu mundo maravilhoso.

Primeiro Dia de Aula - 1972


Caminho rapidamente pela manhã
O coração povoado de expectativas
Finalmente enxergo a minha frente
O prédio imponente misterioso desafiador
No pátio burburinho total
Jovens e crianças
Cabelos compridos, uniforme azul e vermelho
Congas, congas, congas
Quieta espero
As portas se abrem e surgem
As professoras do Estadual.
Forma-se um grupo compacto
O silêncio é quase total
Boas-vindas falas da direção
A chamada
5ªA 5ªB 5ªC 5ªD 5ªF
Eu entro na fila sigo a professora
O corredor as escadas uma leve tontura
Chegamos à sala
Caras novas olhos curiosos assustados
Curiosidade acalmada
Final da manhã
O som da sineta anúncia o término da aula
Volto para casa feliz
Gostei da Escola.

Onipresente




No princípio era a escuridão, o nada!
Mas Ela já espiava o universo.
Depois vieram Evas, Adãos, maçãs, serpentes
E ela presente, inerente.
O mundo povado, Torre de Babel,
Babilônia, Jardins, Odisséias, liras, incêndios
E ela!
O humano, às vezes, a esquece,
Guerra das Rosas, Rosas de Hiroshima,
Nagásaki rasgada,
Lágrimas, suor, sangue, dor, fome,
Ela se fortalece!
Fortaleza do homem.
Permanece, conquista, emociona,
Revela o humano: saudades, amores, ternuras, alegrias...
Desvela, desnuda.
Diante dela a sensibilidade, o olhar crítico.
O homem na lua: Ela
O menino de olhos curiosos:Ela
A menina no balanço: Ela
Os velhos nos bancos das praças: Ela
Os acordes de blues: Ela
Os campos floridos: Ela
O cheiro das manhãs: Ela
A criança, o choro, o abandono, o grito: Ela
A todo momento, em todos os lugares,
Ela, a síntese do belo, do humano, do universo
Ela, a poesia,
Constante, instigante, onipresente.